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Brunno Almeida Blog.


Se é verdade que começa com uma relação ocular, então, o amor não acontece, mas termina às cegas; o outro torna-se um escândalo. Não é possível (falta de ousadia e perda de desejo) enxergá-lo, iluminá-lo, sequer reconhecê-lo. Sacrifício edípico amoral: o mesmo decepou o olho, por um estranho.



Escrito por Brunno Almeida. às 17h08
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Não existe intimidade na escrita. A escrita é sempre colocar-se no mundo, para se retirar deste mundo, logo, gozo não do autor, mas da impessoalidade.



Escrito por Brunno Almeida. às 17h07
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pois todo amor é viagem de um vagabundo; todo amor é errância_



Escrito por Brunno Almeida. às 15h42
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Quem se comove com tão pouco?

O patético gesto de esquecer-te, a inútil fuga: 

descolar a retina do brilho que trazia o frio da noite. 

O pão transformado, agora, em sede outra.

Dói, não o coração, mas a petulância cabeça, o cínico ouvido, a insidiosa boca, o assassino tato: 

dói a carne, esse sangue de alma viva. 

Sei que poderia preservá-la, salgá-la, finda, vida já indo,

dar a sede outra sede,

à velhice da ressequidão, o suor, voz uníssona do mar. 

Mas quem se comove com tão pouco?



Escrito por Brunno Almeida. às 18h31
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Reflexões sobre Bartleby, o Escrivão de Herman Melville

Se a memória é a carta da verdade de um homem, cumprir-se como promessa desta verdade pode ser, muitas vezes, fracasso. Para ser verdade no ato da memória é necessário lançar fagulha ao imperfeito futuro. É isto que chamamos de presente, a tênue linha do instante, o suspiro romântico ou a reminiscência (passado devorando futuro): rio correndo ignorando as profundezas. É isto, também, que podemos chamar, na ausência do milagre desesperador de um futuro, de carta extraviada à espera de um destinatário. No primeiro é história, no segundo um monumento à barbárie. "Com mensagens de vida, essas cartas corriam para a morte. Ah, Bartleby! Ah, humanidade!".



Escrito por Brunno Almeida. às 01h39
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Ao fundo, apenas, ressoava uma nota de um piano. Não se sabe ao certo o nome do compositor de tal grandeza. Uma nota só é uma nota desocupada de autoria, um ensaio, um meio, nada mais, mas é também, por ser uma solitária de uma música, tocada em um instante em que nada se ouvia, um começo, um nascimento, uma nova possibilidade. A nota só era o coração que pulsava. O ouvido que narrou insólita cena não teve tempo de nos contar os detalhes. Poupados estes, fato é que H. inscreveu-se como uma pintura no quadro do palco vazio. Solitário, beijava o escapulário como se tentasse se reconciliar com a amada, como se tentasse se reconciliar com uma falta, a mão do artista que o pintara, a música que era só coração, como se afirma por aí nas frouxas conversas, uma absoluta falta de si mesmo.



Escrito por Brunno Almeida. às 01h36
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Diálogos soltos... 

Parece que ela escreveu este trecho para mim. Ainda estou completamente preso ao passado, e não só o passado material, mas um passado utópico, quando eu era mais sonhador e esperançoso, à espera de um outro, de um avesso, de uma dobra. Hoje, o que restou? Nada, o vazio, o cachorro aqui na porta de casa e eu lamentando (sem fazer nada) uma mulher que é arrastada no rio, por ser pobre, negra, por ser mulher, por ser humano. Nós matamos esse ser humano. Ela era eu, você. O tiro era eu, você. A esperança tornou-se uma sinfonia patética e grotesca. 

Amo calor, verão, praia. Mas essa maquiagem de alegria, escorre, já está transformando o palhaço em uma figura grotesca, horrorosa. Despeço-me. Já deu! Que venha o outono e o inverno: não dá pra ser triste nos trópicos. Não dá pra ser triste com tano mata borrão. 

Até os deuses negaram suas lágrimas aos homens desta terra! 




Escrito por Brunno Almeida. às 23h09
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O poeta é aquele que grava a graça da beleza transitória no coração da verdade_



Escrito por Brunno Almeida. às 14h46
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Talvez, o contrário do amor não seja mais o ódio. Ele ainda é o avesso contraditório que une, desejo libidinal, que só é possível ser canalizado pelo desejo de expulsão, de aniquilamento do outro. Eros e Tânatos, morte e vida em seu aspecto mais febril e ordinário. Deveríamos nos perguntar, se o contrário do amor, no presente, tornou-se um lento nada que dança nos braços da indiferença?



Escrito por Brunno Almeida. às 01h28
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O samba é o nosso fado fingindo alegria_



Escrito por Brunno Almeida. às 17h18
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Amor infinito correndo 
entre as ondas do mar, 
grãos de areia, 
pequeninos, 
perdidos, 
supérfluos, 
solitários? 

Mas quem ousa falar solidão, 
quando a noite escura aurora o ouvido? 
Bater das águas em rochedos, 
como antigamente, 
como tempo. 

Perderam-se, os amantes, 
como homem errante em uma estrada. 
Passos de duas vezes no mesmo. 
Caminhos que nunca se repetem na esfinge do chão.

Foi assim que o infinito
narrou às estrelas a sua finitude, 
carregando no coração selvagem de desassossego 
pedra-azul-aquário, 
como um mar aberto no peito. 

Era uma pedra, 
se não fosse poesia, 
palavra con-sagrada. 
Na realidade, como eu vira 
era um vaga-lume,
carregado no peito, 
iluminando as irmãs do impossível: a beleza e a verdade. 

Como ondas do mar, 
sua luz era tempo indefinido, 
grãos de areias sendo devorados 
por uma boca aberta espumosa. 


Escrito por Brunno Almeida. às 00h12
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Aos errantes e nômades, pois sem destino não somem, devoram-se sob o sol que escurece. Na noite, não a lua que os iluminam, mas seus próprios caminhos, seus corpos, desejos, almas tontas a vagar. Como miríades de estrelas que se juntam, desfazem o cansaço. 



Escrito por Brunno Almeida. às 00h54
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Nietzsche gostava dos "pensamentos pensados" em movimento, no andar, nos devaneios que não precisam da indulgência do papel para se materializarem. São por si, sós.



Escrito por Brunno Almeida. às 00h53
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Tudo que vagueia e se move me interessa, seja bicho, homem, mulher, vento, o correr das águas tontas e sem sentido do rio. Tudo aquilo que vagueia e se move me interessa, é outro quando se vai e quando se volta, como uma palavra soprada na boca da poesia.



Escrito por Brunno Almeida. às 00h53
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Em um mundo sem deus, Sartre colocou a liberdade, não mais como um além mundo, ou a liberdade de estar na companhia de um ser criador, mas na responsabilidade. Responsabilidade com quem? Consigo próprio, suas palavras e atos, ou melhor, aquilo que aparece ao mundo. O pensamento aí não cabe, pois ele talvez seja a única esfera utópica de liberdade sem responsabilidade. E seria desnecessário afirmar que um ser só aparece ao mundo na presença de outro, o que por si só, impõe uma necessidade. Talvez na história, a única personagem de grande feito que apareceu para si mesma foi Narciso, que ao olhar sua imagem no espelho não viu a si mesmo, mas um outro, duplo de si mesmo, possível de estabelecer uma cena de voz única.



Escrito por Brunno Almeida. às 02h53
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Até os pássaros, símbolos máximos da liberdade - que mesmo com as suas asas liberam-se no ar invisível - deleitam-se por uma “necessidade” biológica nas flores. O nosso mal, penso eu, ao sonharmos com a liberdade é desvinculá-la da necessidade. Se assim fosse, as mulheres e os homens da Terra se livrariam - para sempre - do fardo da labuta e do trabalho como suprimento de uma necessidade alimentar e de manutenção da vida. “Estamos condenados a ser livres”, já dizia Sartre. Talvez em outro contexto, mas notório que, pelo menos para a liberdade utópica e idealista, nenhuma forma de libertar-se pode ser condenação. A condição, a nossa condição humana, nasce com a ajuda de uma pessoa que traz um ser à Terra (a figura da parteira) e termina com a imagem de outra pessoa, um coveiro, que sepulta os restos mortais para que estes voltem a Terra. Mesmo no sentido político, e somente nele podemos ousar em falar de liberdade, as mulheres e os homens partem daquela necessidade vital, a saber, ter o direito da palavra, do pensamento e da ação política com os diferente. Por uma pura “necessidade” nossa, utópica diríamos, transfiguramos liberdade em um deus independente e à semelhança de um pássaro incansável, que nunca interrompe o voo para alimentar-se na Terra.



Escrito por Brunno Almeida. às 02h53
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O que você precisa é de alguém que te perceba. E percepção é coisa rara.



Escrito por Brunno Almeida. às 11h22
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Arendtiano 

Só se pode falar em evolução para as coisas fabricadas, como as máquinas e os objetos de uso, por exemplo. A humanidade que aparece, por meio da ação, nunca pode evoluir. As ações são plenamente contínuas, por isto, imprevisíveis, irreparáveis e, por vezes, irremediáveis. Falar de evolução aqui é o mesmo que invocar uma teoria de fins e meios, como se pudéssemos prever os desfechos trágicos e cômicos de nossas vidas.



Escrito por Brunno Almeida. às 23h34
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O bocejo da máquina

 

Não foi de uma generalizada desconfiança em um Deus ou de um ser transcendental criador de todas as coisas da Natureza, que se fez a ciência moderna, mas da desconfiança do homem pelo homem. Um mortal, como é sabido, do século XV descobriu, provando apenas, por meio das ideias, da imaginação e da especulação a infinitude do universo. Foi preciso que um tempo mais tarde, Galileu Galilei validasse empiricamente a tese de Giodano Bruno, com a “invenção” do telescópio. É o inicio da era moderna, científica e das ciências universais. O que está em jogo neste teatro, onde uns agem e outros se calam diante da expectativa, é a anulação dos sentidos dados pela experiência dos homens no plural, providos de boas ideias antecipadoras do futuro, mas desprovidos de meios tecnológicos que unifiquem todos os sentidos dos homens no sentido único de uma máquina. É da desconfiança da experiência dos sentidos e da imaginação dos homens, que nasce a ciência moderna. No fundo, e talvez Nietzsche estivesse certo, nunca substituímos o nosso velho desejo platônico, a saber, sair da aparência (mundanidade e senso comum) e adentrar uma pretensa essência das coisas (extra-mundana). Deus agora é uma máquina bocejante que faz os mortais gozarem. 



Escrito por Brunno Almeida. às 21h22
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A felicidade é como uma flor boiando em um rio de águas correndo. Quando você olha, devaneia e decide suspirar, ela segue o curso...



Escrito por Brunno Almeida. às 22h56
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