Dialética Sentado em um ônibus, leio jornal. No cruzamento da Avenida dos Bandeirantes, com a Alameda dos Nhambiquaras, o farol fica no vermelho. Um grupo de artistas circenses, na verdade três rapazes, exibem suas performances. Um negro faz malabares, o mais velho perna de pau e o mais bonito da trupe bicicleta. Dominam a técnica, para faturar alguns trocados. E daí que uma moça, ou melhor, uma jovem senhora morena, de aparência simples, humilde, mas com uma pele viçosa e uma energia típica das muitas “marias” que vemos por aí, comenta com a filha, que está com a cabeça apoiada em seu ombro. - É muito bonita a profissão desses garotos! E eles conseguem algum “dinheirinho”. Tem que ser corajoso e talentoso, para enfrentar gente mal humorada todos os dias. A filha despreocupada, só afirma positivamente com a cabeça. Eu observo. Um homem, por volta de seus 45 anos, moreno, pele queimada de índio, entra no debate. A dialética se instala. - Eles ganham pouco! Nem vale a pena! - Mas o que eles fazem, não é que nem a gente, para ganhar dinheiro. Eles fazem por amor. Só isso! – disse a mulher, simples assim, em um tom quase poético, se não fosse a sinceridade de suas palavras. E eu novamente, sinto saudades do palco, do teatro. Volto a olhar o jornal, que continua insistindo em discussões de pobres poderes.
Escrito por Brunno Almeida. às 14h33
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E ela nunca sai do meu pensamento... 
Escrito por Brunno Almeida. às 17h08
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Texto solicitado pela profª Adriana Martinez de Filosofia, do curso de Comunicação Social - Jornalismo, sobre a idealização platônica.
Algo me pareceu familiar... Centro das grandes convulsões sociais, a instituição familiar passou por intenso processo de transformação nos últimos séculos. Ocidentalmente, sua gênese enraizada encontra reflexos nítidos na mitologia judaico-cristã, onde valores morais e éticos são perpetuados de geração para geração. Moisés desce do monte com uma tábua de Dez Mandamentos e reúne a tribo, criando a primeira relação instituída de família sob o olhar de um patriarca. A figura da mulher como perpetuadora de uma prole, a do homem como representante do poder estabelecido e a dos filhos como “aprendizes” dos valores e representantes do porvir. Papéis nitidamente desempenhados no teatro anêmico do poder, onde muitas vezes, seus atores (agentes da ação) não desobrigam as regras da cena, em nome da harmonia, da felicidade e do bem-estar geral do espetáculo. Esses conceitos abstratos podem ser determinados por apenas um modelo de família? Como instituição, ela deve obedecer ao jogo de poder? Do lado de cá, em terras tupiniquins, Nelson Rodrigues já anunciava que se fugíssemos às regras de idealizações de status da família, seriamos castigados. Nus ou não! Nas últimas décadas, movimentos como o feminismo, a contracultura e de libertação sexual colocaram esses preceitos para uma conversa com o demônio da civilização: a anti moral. Novos atores juntaram-se ao mise-en-scéne da instituição mais antiga do mundo, dando-lhe uma nova roupagem. Como em uma peça de teatro coletivo, a família não é composta por personas determinadas: pai assume o lugar da mãe, os filhos dão espaço para a conquista da vida material, parcerias homossexuais são bem vindas, a adoção torna-se lugar-comum e a dança da hierarquia sente vertigem ao presenciar a queda dos arquétipos. Fingindo desobedecer as leis da tábua, nós ocidentais, criamos (ou instituímos novamente) um novo modelo de família. Os papéis já não são os mesmos, mas as intenções, os gestos, as falas e as máscaras dessas personagens continuam fortemente enraizadas no moralismo, desta vez camuflado em um discurso de textura liberal, que se pretende novamente, servir ao tragicômico jogo da “normatividade”.
Escrito por Brunno Almeida. às 18h02
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O fim do jornal impresso? E daí, que uma professora do curso de Comunicação Social - Jornalismo, solicitou uma análise crítica, sobre o futuro do jornal impresso no século XXI. Eis minha opinião. Culpar apenas a informatização da notícia, e seus meios de veiculação, seja a Internet e as outras mídias digitais, pelo fim do jornal impresso, é no mínimo exercer reflexões inocentes, tupiniquins e prosaicas. Primeiro que essas novas mídias, não modificaram a linguagem e a mensagem, apenas o meio. Seria preocupante e no mínimo agradável, saber que a Internet e as suas ferramentas modificaram o cenário da comunicação escrita. Essa revolução, em curto prazo, é inviável. Sem maniqueísmo entre o impresso e o digital, o interessante é retroceder e analisar o caso, por um viés social, já que as criações tecnológicas citadas acima, são ideais humanos. O desinteresse pelo impresso tem em sua gênese, o mesmo DNA da brusca redução do interesse pela literatura e pela poesia. Os menos céticos creditam essa queda apenas, para o livro e os outros impressos, e comprovam a eficácia e o sucesso de bibliotecas virtuais, como é o caso do Kindle. Ainda no campo humano, devemos nos atentar para dois pontos fundamentais. Subjetivos, mas fundamentais. A sociedade contemporânea e hipermoderna, não foi preparada para ler informações revestidas de signos. O imediatismo, aqui sim, também culpa dos jornais e seus instantâneos, provocou uma verdadeira guerra contra qualquer tipo de manifestação pautada por simbologias. Um exemplo claro, para não ir muito além, é o teatro. Muitos criadores da área valem-se agora do ridículo nas artes cênicas, utilizando em seus espetáculos meios duvidosos como a “interatividade passiva”. Desde a Grécia Antiga é sabido que o teatro é a manifestação do pensar, do signo e da fortificação do mito. Um jornal ou qualquer tipo de comunicação impressa, só se materializa e atinge públicos, porquê alguém (homem) fornece suas faculdades mentais e físicas em prol da circulação desses meios. Como falar de “revolução” do impresso, sem citar uma questão básica? O buraco é muito mais em baixo, do que possamos imaginar. Há uma crise brutal, violenta e terrorista na área da criação. Como faculdade humana, o jornalismo deixa de lado essas questões básicas, triviais, para atentar-se ao que está na superfície. Se existe um “bem ou mal” nesta história é o sistema educacional e a gestão das empresas de comunicação. Disciplinas técnicas sufocam as disciplinas pensantes. Um bom curso de faculdade seja ele na área de exatas, humanas ou ciências, precisam instituir em sua grade, disciplinas de desenvolvimento artístico. A crise real é essa. O século XXI sem dúvida alguma produziu grandes ferramentas de produção, mas se esqueceu de incentivar as grandes mentes criativas. Partindo dessa premissa, podemos intuir que o papel do jornal no século corrente será o de informar, sem as vestes do efêmero, mas provocar, suscitar análises críticas e contraditórias. Em termos práticos, abrir a discussão de fatos recentes, sem deixar de lado, a linha de raciocínio da história. Um caminho a se pensar, é da volta do texto opinativo. Mas como liderar isso, sem uma preparação eficaz de quem produz o jornal?
Escrito por Brunno Almeida. às 21h21
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E já tem música tema, as "Olimpíadas 2016", made in Brazil. MutantesParque Industrial Retocai o céu de anil Bandeirolas no cordão Grande festa em toda a nação nação. Despertai com orações O avanço industrial Vem trazer nossa redenção.
Tem garota-propaganda Aeromoça e ternura no cartaz, Basta olhar na parede, Minha alegria Num instante se refaz
Pois temos o sorriso engarrafado Já vem pronto e tabelado É somente requentar E usar, É somente requentar E usar, Porque é made, made, made, made in Brazil. Porque é made, made, made, made in Brazil.
Retocai o céu de anil, ... ... ... etc.
A revista moralista Traz uma lista dos pecados da vedete E tem jornal popular que Nunca se espreme Porque pode derramar.
É um banco de sangue encadernado Já vem pronto e tabelado, É somente folhear e usar, É somente folhear e usar.
Escrito por Brunno Almeida. às 21h19
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Para ler com a alma... E só! VII Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do universo... Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer, Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura... Nas cidades a vida é mais pequena Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro. Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave, Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu, Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar, E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver. Alberto Caeiro – Fernando Pessoa.
Escrito por Brunno Almeida. às 00h54
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Para alimentar a alma: Memória, Júbilo, Noviciado da Paixão. Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me E eu te direi que o nosso tempo é agora. Esplêndida avidez vasta ternura Por que é mais vasto o sonho que elabora Há tanto tempo sua própria tessitura. Ama-me. Embora eu te pareça Demasiado intensa. E de aspereza. E transitória se tu me recompensas. Hilda Hilst
Escrito por Brunno Almeida. às 11h32
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1º DE ABRIL “PRECISAMOS URGENTE, INSTITUIR O DIA DA VERDADE”.
Escrito por Brunno Almeida. às 18h22
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“ÀS VEZES, É PRECISO FALAR DOS MORTOS, PARA RESSUSCITAR OS VIVOS”. BRUNNO ALMEIDA
Escrito por Brunno Almeida. às 02h44
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NOTAS, NOTAS. SAIU NO SITE OFICIAL DA SPFW (SÃO PAULO FASHION WEEK), SOBRE O TRIBUTO À ELIS REGINA. VEJAM: http://www.spfw.com.br/noticia_det.php?c=3220 EM CULTURA, SÁBADO, 28/03. FUI... BEIJOS, BEIJOS.
Escrito por Brunno Almeida. às 00h17
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NO DIA DO ANIVERSÁRIO DE ELIS REGINA... CONCORDEM OU NÃO... EU NÃO ESTOU NEM AÍ, PARA OPINIÃO DE VOCÊS. MORRE UMA DAS PESSOAS PÚBLICAS MAIS SENSATAS DESSE PAÍS: CLODOVIL HERNANDEZ. “ELE ERA INTELIGENTE. FINGIA UMA LOUCURA, POIS OS LOUCOS SABEM DEMAIS, E PRECISAM DISSIMULAR CERTAS VERDADES NESSA TERRA DE FALSOS LÚCIDOS. ATRÁS DA LOUCURA, HABITA A SENSATEZ”. "Eu entrei [na política] mais para ser garoto propaganda da Câmara do que qualquer outra coisa. Porque não tenho feito nada. Eu vim aqui para trabalhar e não para brincar” – Clodovil Hernandez. 
Escrito por Brunno Almeida. às 01h08
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ELIS REGINA CARVALHO COSTA Quem me conhece, sabe: SOU FANÁTICO POR ESSA MULHER, ESSA ARTISTA ÍMPAR. E hoje, 17 de Março de 2009, ela completaria 64 anos de vida. Terei o prazer de homenageá-la, na próxima edição do Manifesto Cultural “Esse Lugar Não Existe...”, na Vila de Paranapiacaba. Eita, felicidade! 
Escrito por Brunno Almeida. às 00h12
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FRAGMENTO SEM PONTO FINAL "os gênios ainda não chegaram" “e nuvens lá no mata borrão do céu, chupavam manchas torturadas” "e, o que queremos, de fato, é que as idéias voltem a ser perigosas"
Escrito por Brunno Almeida. às 02h12
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“AMOR É AUSÊNCIA DE ENGARRAFAMENTO” – ELIS REGINA, em transversal do tempo.
Escrito por Brunno Almeida. às 03h32
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“Carta para um herói” Desde pequeno, quando as palavras e gestos são apenas signos soltos e suspensos, ele desejava ser herói. Imaginava-se voando por alturas, onde as vistas não alcançam e o ar suporta-se em sua essência. Suas amizades eram de seres de outras vidas, angelicais, dóceis, de sentinelas e galáxias. Possuía uma estranha e demoníaca facilidade de decifrar valores e olhares. Para ele, o mundo, esse mundo real, era apenas um gesto, suave e sem significado das mãos de Deus. Sua mãe, no entanto, vaidosa com as descobertas do menino, alçava vôos, não tão longínquos como o do filho, rumo ao desejo. Orgulhosa, maternal, imaginava, ou melhor, sonhava, já que a sua imaginação era restrita a criação de novas formas de amar a sua cria. Sonhava com a promessa de seu filho, tornar-se “o homem da família”. Um dia ele era advogado, no outro juiz de paz, em menos de duas semanas um grande médico, atento com vidas e gestos simbólicos de esperança. A mãe despertada para a idéia de grandeza do filho, encarava noites profundas no Hades da insônia. Em uma dessas noites, quando todos parecem abandonar seus corpos, e os rostos, que na aurora são felizes e tristes, e agora expressam neutralidade, ela decidiu escrever uma carta para si mesma. Uma carta para uma mãe sonhadora, endereçada ao tempo, daqui vinte anos. Sim, ela saciaria o seu desejo de ser a leitora de sua própria carta, quando o filho completasse vinte e cinco luas. Apanhou em uma escrivaninha, um caderno e um toco de lápis, miúdo e aparentemente mal apontado. Sem encenar o barulho típico das mulheres, iniciou o seu carinho solitário, derramando pequenas lágrimas de garoa sob o papel branco. Suspirou. Olhou o marido com o rosto neutro. “Por que em noites assim, todas as máscaras cumprem seu destino, e se desfazem?”. De súbito, teve uma idéia mortal, dessas capazes de levar ao inferno, onde almas que pesam e pensam em demasia, habitam: “Deus deve ser neutro”. Dormiu. O garoto aprendera a ler e a escrever sozinho. Aos cinco anos já estava no colégio. Aos sete anos, já lia obras ilustres e poemas sobre o porvir. Aos oito, ganhava concursos literários e de retórica. Aos treze... Ah, os treze anos! Pegou uma meningite súbita, que quase o levou para a casa do Deus Neutro. Foram semanas em um leito quente. Foram dias de agonia e foram duas horas para que o garoto voltasse curado para a vida. Aos dezesseis, lançava seu primeiro livro de contos e crônicas. Aos dezessetes, já havia experimentado todas as aventuras sexuais e amorosas, com mulheres e homens. A maioridade se aproximava. A ansiedade acompanhava as pulsações de sua mãe, que desfalecia ao sonhar com o futuro esmeralda do filho: advogado, medico, juiz, soldado. As taquicardias eram constantes. Terminara o segundo grau sem muitas especulações sobre a vida cotidiana e as filosofias dos jovens atuais, que se encantam com palavras difíceis e idéias ordinariamente banais. Sua agitação interna, não era sobre a vida, mas sobre o terrível mistério que há nela. Era uma tarde, não chovia, não fazia sol. Era uma tarde neutra, assim como o Deus do rosto de seu pai. Atravessou a rua em direção à Universidade, com a idéia fixa e solar de realizar o seu grande sonho de ser herói. Era o grande dia. O dia da viagem ao seu céu invisível e inalcançável. O dia da morada com o Deus neutro. Repetiu os gestos corriqueiros e banais, que tanto lhe desagradava. Acendeu o cigarro, atravessou a rua, esperou o coletivo. Quase triunfante, como se nada bastasse, nem as verdades ditas, nem as mentiras maquiladas de falsos brilhantes, esperava ansiosamente pelo dia, em que o extraordinário acontecerá. Sentia que havia um vulcão em sinal de explosão em sua alma. Sentia que pessoas, cores, texturas e odores agitavam-se em seu corpo, sem pedir passagem. Não desejava ser mais ele. Desejava ser outro. Logo pela manhã, quando voltava da padaria, de forma costumeira, a mãe recolheu as cartas na caixinha dos Correios. Não notara, em meio às contas a pagar, que o seu destino impiedoso estava lacrado em um envelope pardo, desses bem baratos de papelarias comuns. Foi ele que deu a noticia ao abrir o envelope, depois da terceira xícara de café e o quinto cigarro do dia: Fora aprovado para o curso de Artes Cênicas mais concorrido do país. Ele evidentemente agitou-se em sua típica felicidade de dezoito anos. Como são boas as felicidades antes dos vintes. Ela, após choros e insultos ao seu ex-médico, ex-advogado, ex-soldado, ex-filho, sentiu o forte cheiro de éter do hospital. A situação era gravíssima, detalhou o médico ao filho-herói. A linha que separa a vida da morte é tênue, são poucos os que conseguem diferenciá-la, sem cair na enganação da esperança, seja ela de vida, ou de morte. Desde a infância, essa escuridão era sagrada para ela. Assim, como era claro para o filho, o seu desejo de voar para o céu inalcançável. Entregara a carta de vinte anos contados no tempo para o filho, no intento de perdão ou quem sabe, aceitação de seus sonhos. Morrera segurando as mãos macias de seu pequeno-herói; aquele herói que um dia, muito pequeno, assustou-se pela primeira vez com a palavra MORTE. Ele com o olhar oco, profundo e de mistério, voltara caminhando para a casa. Seu corpo pedia o repouso, após intermináveis horas de convivência com o câncer da mãe. No meio da rua abriu a carta. Emocionou-se ao constatar a infelicidade de sua mãe. Arrependeu-se amiúde por ter sido egoísta. “Minha mãe sonhava em ter um filho médico, advogado, juiz, professor ou doutor... Escolhi morrer e viver diariamente. Escolhi ser artista, e viver constantemente entre o céu e o inferno. Ela, escolheu projetar os seus sonhos em um único filho. Não consegui chegar próximo do ideal de minha mãe. Mas e daí? Ela, chegou próximo do meu ideal de mãe? Eu apenas escolhi ser eu e ser outro. Tenho a arte que é capaz de mudar o mundo e as pessoas. Afinal, eu sou um herói”. Tomou um susto. Sua consciência ditava implacavelmente as regras do jogo, impondo-lhe: “A arte não salva, não cura e não muda. Ela apenas destrói um mundo anêmico, e constrói um novo mundo com aspecto divino”. Bebeu o último gole de leite que havia no copo. Deitou-se. Respirou suavemente, e dormiu. Voltou a sonhar com o seu céu inalcançável e a herança de um Deus neutro. Voltou a ser herói. Então, ele descobrira que seria impossível ser aquilo que a sua mãe sonhara, ele era, na realidade, o próprio sonho. Brunno Almeida. brunnoalmeidamaia@gmail.com
Escrito por Brunno Almeida. às 03h31
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Matéria sobre "MANIFESTO CULTURAL: ESSE LUGAR NÃO EXISTE...". http://www.destaquesp.com/index.php/Cultura/Especial/manhas-de-carnavais.html
Escrito por Brunno Almeida. às 13h11
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O ETERNO RETORNO Eu e mais um “bando” de artistas talentosos vamos invadir novamente Paranapiacaba. Quem disse, que a poesia está morta? 
Escrito por Brunno Almeida. às 02h32
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"os fatos, agora, são como manchas de poeiras na vidraça desse desfilar, chamado vida".
"quase triunfante, como se nada bastasse, nem as verdades ditas, nem as mentiras maquiladas de falsos brilhantes, espero ansiosamente pelo dia, em que o extraordinário acontecerá".
BRUNNO ALMEIDA
Escrito por Brunno Almeida. às 00h26
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"EXISTEM DOIS TIPOS DE ARTISTAS. O PRIMEIRO REVOLUCIONA AS BASES. O SEGUNDO, APENAS, AS SUSTENTAM" - Brunno Almeida
Escrito por Brunno Almeida. às 23h47
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Estranha Humana Obsessão.
Pela metade vivemos.
Cada passo singular de nossa vã existência desvela a dor de nossa própria essência.
A certeza da incerteza de Sartre é o início de um precipício que nos afugenta.
O ponteiro do relógio gira ao contrário.
As semanas, os dias e as horas são reis nessa terra, onde a mentira e a maldade são novas diretrizes e crenças.
Anunciam um novo tempo? Anunciam um novo homem? Nietzsche estava errado! Super-homem não existe. Só existe essa grande lenda.
Lenda do poder de ter; lenda do poder de Deus; lenda de que a felicidade é a cura da alma.
No ar há um grito solto e um vazio torto. Grito enunciado pela boca voluptuosa de um Santo Pecador.
Esse santo não morreu, não foi ao inferno. Seus pecados não são teus.
Certa vez, esse Santo Pecador perguntou para um marginal, que motivo banal era esse!
Por que essa estranha obsessão humana de amar? Por que essa estranha obsessão humana de perdoar? Por que essa estranha humana obsessão de querer bem, os que não anseiam pelo bem?
Ele nada respondeu.
Não há um fim; não há uma luz; não há de novo um lugar para esse Santo na cruz.
O ponteiro do relógio gira ao contrário. Pouco importa. O relógio sem ponteiro, também gira.
Por que essa estranha humana obsessão de amar?
Prefiro a dor que é início, gênese pronta e o começo do que poderia ser o amor.
Brunno Almeida
Ventania
Se a esperança um dia morrer, os anjos morrerão também.
Anjos nascem e morrem todos os dias.
Mas há a esperança, que finge se esconder onde há a ventania.
Se aquele botão de rosa amarela contasse todos os segredos anjos, não desabrocharia.
Esperaria impaciente a impiedosa primavera, que revela a poesia oculta no milagre do nascimento.
A natureza, meu caro, não é grata, é fruto de certas mentiras.
A natureza é o reflexo apenas, das dores de uma ventania.
Pudesse escolher entre o sexo e a vida, escolheria a morte, que é a gêmea da superfície.
A esperança se um dia ela morrer, não haverá caixa sagrada dourada, para o seu repouso.
Desfalecerá ao lado da natureza, ao lado do botão de flor da rosa, que insiste em nascer todos os dias.
Brunno Almeida
Escrito por Brunno Almeida. às 13h01
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