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Brunno Almeida Blog.


as opiniões criam consensos, a filosofia conceitos.



Escrito por Brunno Almeida. às 17h48
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Não adianta - e daí se entende o porquê, de tempos em tempos a cultura da troca tornar-se um ato de vergonha – se antes era a Igreja Católica que ideologizava o modus operandi, hoje é o neo pentecostal. Este último, principalmente no Brasil, país recente, novo, do futuro, encontra ressonância nas massas, por que ao contrário da religião da cruz, prega uma não-ascética, um quase hedonismo, uma abundância, a riqueza como promessa divina. E querem imagem melhor para um país em desenvolvimento, do que a benevolência de um deus que enriquece? No fundo, apesar de todas estas transições, a ferida nunca é cicatrizada. O discurso nunca vai de encontro ao sistema que nos rege, à ordem da economia política, do meio de governamentalidade, do controle e da arte de governar os indivíduos-empresas. Enquanto a “outra” é fundamentalista no discurso e na prática, a última faz da prática do fundamentalismo um discurso silenciado.



Escrito por Brunno Almeida. às 17h09
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Saudade só podia ser um sentimento genuinamente brasileiro. Genuíno e ingênuo, por isto território cognoscível da poética, incognoscível da tradução, da tristeza, da alegria e da saudade. Sentimos saudade de algo que aconteceu há poucos segundos. Sentimos saudades de algo que nunca vivemos, de um olhar, de um semblante, do cheiro nauseante de uma comida boa, de uma estação se aproximando, das flores febris que ardem nos asfaltos das cidades. E a saudade que temos do Mesmo? Isto deve explicar – não sei -a nossa mistura e o nosso samba, feito de saudade. Temos saudades até dos aparentes desconhecidos que coexistem – de certa maneira – em nossas peles, nossos genes, nossas danças e em nosso paladar. Sentimos saudades da saudade. Vivemos dela, da saudade que nunca saúda o presente. Saudade de passado, saudade do futuro sem rosto. Eu tenho saudade de lembrar, e desejo que as pessoas sintam saudade da lembrança, de que este substantivo abstrato é a exceção das mais excessivas, que também não permite nome próprio.



Escrito por Brunno Almeida. às 13h28
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para mim, no fundo, escrever sobre moda, teatro (para também), política, religião, esquerda, direita, economia, cultura, cotidiano em nada muda a ordem das importâncias. nelas coexistem o ponto que me interessa: a governamentalidade dos corpos.

 

‎"Os sujeitos só existem na medida em que as instituições existem. Estas são as formadoras, detentoras e detentas dos sujeitos. O que há entre este caminho, este meio é o que convencionamos como identidade. A identidade não deve ser, a meu ver, entendida como um fim nas sociedades contemporâneas, mas como um meio. Um meio de prevenir, remediar, interditar, chocar e criar a ilusão de que, são estes sujeitos os detentores das autonomias e das verdades. Se há uma autonomia, esta é a da instituição, que deslocada, por isto próxima do corpo, encoraja novos corpos. O sujeito e a identidade são os alicerces não só para as estruturas, para a vida em sociedade, mas para prevenir os medos criados por eles mesmos, ou ainda, pelas instituições que também os encorajam".

 

O que me parece pertinente é entender de que modo - e se é assim - que a filosofia responde ao homem. Penso que é justamente o contrário, é o homem quem deve responder à Filosofia. Ela não é um dado objetivo, reto, sem curvas. Pelo contrário, o mais importante, penso eu, no exercício do pensar não é a rima final do coexistir objetivo, que é colocada à prova, mas o duelo com o objeto em questão. Pensar em um progresso das ideias neste campo, atribuindo valor as negações é no mínimo justapor o indivíduo à hierarquia das instituições. Com todo o perdão, e posso estar equivocado, a filosofia não é uma ciência.

 



Escrito por Brunno Almeida. às 11h04
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A crise do abjeto: A 30ª Casa de Criadores abre suas apresentações com um vídeo institucional do SENAC. Na primeira fala, o estilista Alexandre Herchcovitch sentencia: “não temos uma cultura de moda, ainda, formada no país”. Até aí, nenhuma novidade no discurso. Mas me fez pensar, sobretudo, que cultura é essa?! Em relação aos outros países, em que a moda é entendida como aspecto da história, da expressão e da criatividade, em solo brasileiro há uma arrogância infantilizada em apenas generalizar esse dispositivo da cultura, como consumismo estúpido, coisa da burguesia, da elite. Não que estes pontos não aconteçam, mas pensá-los apenas por estes primas é fazer o caminho inverso, ou ainda, utilizar a mesma mecânica excludente, que já colocou as manifestações populares, como a dança, a capoeira, o samba e o carnaval em um sistema de crime e castigo. Penso que, o que falta para a moda brasileira – se assim, podemos chamá-la – é inserir a sua questão na ordem do discurso da cultura. Quantos pesquisadores, filósofos, sociólogos, antropólogos, historiadores e acadêmicos brasileiros, se disponibilizam a pensar, estudar, realizar uma arqueologia do vestir o corpo do outro, fugindo das exceções excessivas do clichê? Este é o ponto que difere a moda no continente europeu, da moda brasileira: a falta desta, como objeto de estudo. E é justamente neste ponto que reside o perigo: ao deixarmos de lado esses dispositivos, tratando-os apenas como “consumo desenfreado”, que a lógica perigosa do mercado exerce seu fascínio e entorpece. Justamente o que desejam é isto, que não se pense a moda como uma forma de governamentalidade – sem cair em uma dialética fundamentalista – de ato político e cultural. Talvez, a crise de mercado financeiro que a Europa enfrenta neste momento, tenha chegado aqui sob outra roupagem, a da crise da criatividade e o interesse em entender o que é abjeto.



Escrito por Brunno Almeida. às 12h00
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Steves Jobs, o território e a paz (in) desejada

O começo de uma biovirtualidade

Brunno Almeida Maia

Esta reflexão nasce do espanto e da curiosidade acerca de um discurso. Mas não se trata de um discurso qualquer. Trata-se de uma fala, um imperativo, um enunciado, como quiserem, de um empresário norte-americano, ligado ao setor da tecnologia da informação. Certa vez, em uma entrevista, disse Steve Jobs: “Esqueça o passado. O que conta é ter a cabeça voltada para o futuro”. Por ironia, recorro a um passado, não o mesmo de Jobs, para iniciar a minha teoria. É sabido, que uma das maiores preocupações de nossa sociedade, a ocidental especificamente, é a da questão da paz. Desta preocupação nascem, após o término da II Grande Guerra, jurisdições, discursos, tratados e acordos específicos, com o objetivo de demonstrar o que seria a paz mundial. Mas é sabido também, e que muitos alegam que, este desejo, sonho coletivo e vontade não passam de uma utopia, de uma quimera, e que os nossos governantes nunca tiveram preocupados com a questão da paz “mundial”, mas sim, em multiplicar, em prol de uma indústria bélica todo um aparato tecnológico capaz de refazer a todo instante a permanência da guerra. Esta última, segundo o discurso corrente, a lucrativa, a imperativa e a dominante. Mas não foi bem isto, que a história, o silêncio da história, para quem sabe lê-lo, tem demonstrado. Como disse anteriormente, durante toda a década de 50, 60 e até hoje, se quiserem, instituições e organizações mundiais, em um esforço conjunto, tentam promover maneiras de acordar a paz. Mas afinal, de qual paz estamos falando?  Ou melhor, seria esta a pergunta: esta paz idealizada é possível dentro de um acordo que seja mundial, logo unificado, plano, exato e em concordância com todos os países? Penso que sim e que não. Se estivermos pensando na paz como uma possibilidade única, material e solúvel, dada por estas organizações para todos os países, deduziremos, por um motivo muito simples, que a resposta, neste caso, é a negativa. Negativa, insisto, por um motivo aparentemente banal e óbvio: a questão territorial, ou se preferirem a constituição e a legislação própria de cada Estado. Voltaremos a este ponto, adiante. Se a questão da paz for pensada fora deste âmbito, o que não é impossível, pelo menos de pensá-la, mas realizá-la, sim, a paz mundial, ainda que de acordo com a especificidade jurídica e legislativa de cada país, é uma possibilidade, assim como a guerra é algo possível de ser desenhado. Temos aí, uma problemática que se estabelece. Primeiro a da questão do território de cada país ou nação, com sua legislação e jurisdição particulares, que impedem de certa forma, mas não impossibilitam a realização de uma paz “mundial”. Deve ser de certa forma, este o motivo dos acordos serem dados, principalmente, no plano mundial, na esfera global, ou se fosse Jobs falando, em um mundo sem fronteiras. Como vivemos em uma sociedade, em que se faz necessária a separação da ordem do discurso, onde ele é colocado, pautado, revisto e revisado, do próprio discurso puro, se faz necessário o entendimento do primeiro ato: o da ordem. Quem e de onde fala essa voz que se agita em nome da paz mundial? Primeiramente dos países membros que compõem estas organizações e entidades. Tais países, como sabemos, muitas vezes, historicamente, sofreram com as mazelas das duas grandes guerras. Tais países também, como sabemos, foram e são os primeiros, principalmente no pós-guerra, a se inscreverem na ordem vigente da atual política, ou melhor, da economia política, pensando nas palavras de Michel Foucault em “Nascimento da Biopolitica”. Se quiserem ainda, poderei ser mais claro e alusivo: tais países compõem o que eu chamaria de Bloco Unificado do liberalismo. E todos sabem que, para que este modelo de economia política seja possível, é (foi) necessária toda uma ordem em prol do mercado. Sua primeira inclinação e logo, reivindicação, para que este mercado fosse possível, foi a da sua própria liberdade – e é quase inverossímil pensar em paz, sem passar pelas nuances do que se supõe como liberdade – entre todos os países. Daí nasce talvez, a expressão, que mais tarde reconheceríamos pelos olhares que miram as tecnologias, de um mundo sem fronteiras. Suponho que, durante décadas se pensou na paz como uma unidade isolada, possível para todos e para todas as nações. Pois bem, o que fez o neoliberalismo? Mostrou que pelo menos no plano da ordem econômica esta paz não é uma virtualidade, mas sim, uma possibilidade na nervura do real. Isto explica, talvez, o porquê, todos os discursos pós Guerra Fria convergirem para uma questão de paz em uníssono. Não que não tivemos e não teremos guerras, mas é impensado nesta nova ordem que se estabelece, promover uma guerra mundial. As guerras que se sucederam e se sucedem são as guerras territoriais. Perigo duplo. Em um passado não tão longínquo, para contrariar a máxima de Jobs, a justificativa de uma guerra não era a paz, pelo menos para a nação ou território atacado, mas sim a da conquista, por meio das forças bélicas e armadas de um espaço econômico, social e territorial. Não que as atuais não sejam assim, mas elas se configuram, e esta é a grande diferença das guerras dos pós-guerras, pelo discurso da conquista do território em nome da paz, ou para ser mais específico, da colocação, após a ordem estabelecida depois da guerra, de uma nova legislação, uma nova forma de jurisdição e governo àquela população. Não precisamos ir muito longe, para entendermos os mecanismos das invasões norte-americanas em territórios árabes. Além do interesse petrolífero, mas só este dado não é possível de explicar, há uma série de práticas em jogo. Que práticas são estas? A de uma legislação, de um aparato jurídico e legalizador que seja, a priori, pautado na soberania da paz mundial, que por sua vez, é pautado na paz e na liberdade de mercado. Estes países, muitas vezes, antes destas invasões, estavam longes, já que viviam em regimes fechados de conhecerem a nova configuração, ou a modotopia* do século XXI: a tecnologia. Com a chegada do ideal de “paz” percebemos muitas vezes que as primeiras medidas são tomadas neste sentido: não basta a paz, basta a liberdade de ter a liberdade em se conectar com o mundo. É desta desconfiança de minha parte, ainda muito grosseira e sutil, que nasce então o que chamo de biovirtualidade. A biovirtualidade é um aparato discursivo, prático, real e virtual de possibilidade de integração totalitária no modelo e na ordem da economia política. É ela quem permite que a paz seja possível, já que a sua legislação é única e a sua fronteira inexistente. É a substituta, por excelência, das modotopias. A biovirtualidade não é uma modalidade de modotopia, mas a prática e o estágio final desta. Neste ponto, volto ao inicial e central de meu espanto: o discurso de Steve Jobs: “Esqueça o passado. O que conta é ter a cabeça voltada para o futuro”. Inocência acreditar que, este esquecer é apagar, para simplesmente construir um futuro de progresso. Pode ser, mas talvez, Jobs não tenha pensado nisto quando enunciou estas palavras. É também, o esquecer físico, pelo homem, pela memória humana, mas não o esquecer das tecnologias. Em quais décadas mais se revistou o passado, por meio das tecnologias? O tempo todo somos bombardeados por estas novas plataformas pelas lembranças do passado. Mas elas não estão em nosso cotidiano físico, mas no cotidiano não-fisico, logo, virtual destas novas realidades tecnológicas. Neste ponto, discordo da ideia de que esquecemos o passado. Talvez em um futuro muito próximo, na era da biovirtualidade, as modotopias estarão presentes, não mais como mecânicas de reprodução de nossos sonhos e desejos entre o Outro e o Mesmo, mas sim, como um livro de história sempre aberto, incansável, incessante, que não para de relembrar, para negar e para também afirmar, o que um dia foi dito, do lado de fora, como passado. Talvez hoje, ao debruçar-me com estas palavras, entendo a frase que disse meses atrás, em um momento de ingenuidade intelectual “As guerras do século XXI serão as guerras discursivas”. Enquanto morre este homem que conhecemos, pautado pelas estruturas (as estruturas vão morrer), assistiremos atônitos e satisfeitos o nascimento de um homem que se inscreverá na guerra do discurso, pela busca, pela briga e pela brutalidade de conquistar o território virtual do Outro. É a etapa avessa do estágio atual, ou da modotopia. Nascerá então, uma nova imposição geográfica, marcada pelo desejo de legislar e juridicizar em nome de um “bem comum”.

*Modotopia – É o dispositivo onde todas as atividades que compõem a Ciência do Sonho: teatro, cinema, fotografia, música, dança, artes plásticas, TV, Rádio, Propaganda, se encontram. É o local de realização da identidade do Mesmo pelo Outro. Em minha análise, este período é possível com a colocação da moda no contemporâneo, no pós-prêt-à-porter, especificamente com a chegada de um aparato de espetáculo para a moda, ou historicamente e ironicamente, na década de 60 e 70, quando os ideais libertários se apropriam e fortalecem esta linguagem. É ainda, o meio de transição possível para estabelecer uma nova modalidade de relações, pautadas, atualmente nas tecnologias virtuais.



Escrito por Brunno Almeida. às 00h36
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É curioso quando uma pessoa se aproxima dos seus 80, 90 ou 100 anos de idade, em que o Outro, na tentativa débil e fracassada de tentar agradar, retribui com um sorriso e um “parabéns”. Interessante seria se, ao invés desta palavra, que se tornou símbolo para tudo, o Outro, em uma tentativa reflexiva, de pensamento e filosófica, perguntasse: “Mas valeu a pena estes tantos anos?”. Não se trata de pessimismo, muito pelo contrário, se trata, sobretudo, de não antecipar a ausência de memória do Mesmo. A própria pergunta em si, prolongasse em uma ética, dependendo da resposta, pode redimensionar o que significa– para aquela pessoa, única e exclusivamente – o que é a existência.



Escrito por Brunno Almeida. às 11h01
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No jogo duplo de espelhos do "nosso amor" não amamos o prazer de amar. Amamos o prazer de nos doar voluntariamente às instituições, às práticas discursivas e às estruturas que compõem este amor. É um Castelo de Kafka: só olhamos para um lugar. Daí que, nenhum amor pode ser desinteresse. É uma gramática própria de sentir.



Escrito por Brunno Almeida. às 00h28
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Seus olhos brilham e falam (por isto, ocultam) mais que a curiosidade. É lindo! 



Escrito por Brunno Almeida. às 00h27
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Há um grande abismo entre quem escreve e quem lê, no caso da literatura. Este não é apenas o território ilegal das distâncias entre as palavras e as coisas. Este abismo é o da "loucura".



Escrito por Brunno Almeida. às 11h23
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diálogos com Marcelo Hailer, digo: A inteligência é isto. Não é o modo pelo qual operam as coisas, mas este estado de espanto, o contrário, o modo pelo qual as coisas operam: a curiosidade. No fundo, esta ideia de antropocentrismo só serviu para ideologizar o que não era/ é mais possível. nunca tivemos tão lado a lado de uma figura paternalista de um soberano/ deus.



Escrito por Brunno Almeida. às 11h23
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VESTIR O CORPO DO OUTRO: Em sua recente colocação no discurso da história, a moda é dividida em fases: o período anterior à industrialização, chamado de alta costura, e o ulterior que convencionamos de prêt-à-porter. Como fenômeno social, tal como entendemos no contemporâneo, recolocaria estas duas fases em direção a uma terceira. Esta terceira, mais recente, mais próxima, por isto sutil, imperceptível e ideológica na descontinuidade da historicidade. É ela quem delimita a moda como moda, como expressão “individual do ser”, como uma possibilidade de linguagem. Este período corresponde à ascensão da fotografia à imagem em movimento: o cinema. É a partir daí, que lanço um olhar curioso, inquisitivo e indagador. É a partir daí, também, que a moda se torna ciência, a Ciência do Sonho, ao lado das outras sete artes. É a única ciência possível de, não explicando a realidade em suas particularidades, por meio de um método cientifico, transformar esta mesma realidade em que convencionarei chamar aqui de modotopia. O que torna possível dentro do imaginário que esta ciência opere são os planos imagéticos que se apropriam dela. O que seria da moda sem a sacralização de seu poder, por meio de capas de revistas, editoriais, fotografias e um reino de possibilidades estéticas, criados por outros? Retornaríamos então, ao apenas vestir, traçar, delimitar o corpo em seus espaços? Ora, a moda contemporânea – aqui moda, deve ser entendida como todo o fenômeno que muda o comportamento, pela apropriação das imagens, passando ao plano discursivo- apoiada nos discursos destas espetacularizações – só assim ela se realiza – é que se torna um dispositivo, um objeto a ser analisado. E é deste espetáculo sombrio e fascinante, que assistimos nascer então a questão da identidade.  Se não fosse possível, o seu apoio, tal como apontamos, no discurso das ciências dos sonhos (TV, Cinema, Revistas, Fotografia, etc), a moda não realizaria a sua capacidade identitária.  A fantasia do Mesmo é realizada somente com a colocação do discurso uniforme de certos especialistas da área. Caso contrário, seria uma fantasia isolada, única, fechada, que não corresponde ao fenômeno coletivo e de massa. É como se o Ser, sem estas alegorias da Ciência do Sonho, tivesse que recriar sozinho um universo onírico em sua imaginação, a partir apenas, do plano material do objeto.  Ora, o que marca esta terceira fase, e onde pretendo colocar o conceito de modotopia, é quando o Outro trajando essas imagens, por mais que elas sejam um crossover - todas as imagens já representadas para a sociedade estarão ali, serão identificadas – possibilita que o Mesmo, também trajando estas mesmas imagens, inicie o processo de fixação da identidade. Na sociedade do espetáculo, do mass media e da moda, “os modos” operantes de identidades acontecem por um jogo duplo de espelhos, possibilitando então, a impressão de que, aquela imagem vista no Outro seja a sua, quando dentro desta realidade, não passa de uma passagem para a afirmação/negação. Destes extremos talvez, suponho, nascem as retiradas de uma ideia de moda (tendências), para uma moda de ideias. É neste ponto então, que o papel do criador se retira de cena, para dar lugar à soberania limitada e definida do Mesmo e do Outro.  A moda é por excelência o vestir o outro. 



Escrito por Brunno Almeida. às 23h53
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Muito triste você saber que uma pessoa que você gosta muito, e não pelo que ela se tornou (o que faz ou deixa de fazer), mas pelo que é, se afastar... E sou do tipo que, quando gosto de verdade desligo o 8 ou 80. Independente dos motivos – acredito que as coisas acontecem na hora certa – estou sempre disposto a sentar, olhar nos olhos e conversar novamente. A gente anda numa época tão estranha em que olhar nos olhos tem se tornado um sacrifício. Não importa se a pessoa já não sente o mesmo por você. O importante talvez seja a honestidade consigo. Uma hora a gente conserta o “balanço” e volta a ter liberdade do sonho em ser criança. Vamos voar... 



Escrito por Brunno Almeida. às 19h44
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Se, do ponto de vista foucaultiano, toda epistemê possui seu contra-senso, que é por sua vez, este último, objeto de crítica da filosofia e do pensamento, seria o sufocar da crise ou a descontinuidade, o buscar deste contra-senso? Muito menos onde, desde a Idade Moderna (XIX), o colocamos no discurso das linguagens arruínadas (literatura), mas na ordem estrutural das coisas e do sistema? Não como uma releitura hiponótica e cega, mas mais próximo de uma recolocação de como pensamos este pensar que é (tornou-se) "deslocado" e "estranho" - por isto fascinante - dado então, como "abjeto".  



Escrito por Brunno Almeida. às 11h53
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Se a recente teoria estruturalista foi capaz de dominar, por isto excluir a possibilidade de sujeito, como se este fosse algo impossível de ser "pensado", partiremos então para aquilo que desde que a história, pelo menos a nossa, tomou para si o significado de sujeito. Entre esta constituição do ser (sujeito) e a do que pressupomos, até que se prove o contrário, como realidade, a única plástica e materialidade possível foi o corpo. Cada vez mais, penso que o sujeito é um corpo ainda não embalsamado. Se desde a Idade Moderna (XIX) constituiram-se saberes específicos, visando de forma sutil, cada um com formas particulares, este corpo, mas ao mesmo tempo a formação deste sujeito. No sonho errático que temos, este é o único disposito capaz, talvez, de contemplar não a ordem do discurso, mas em qual momento este discurso fez do corpo um sujeito. E aqui, desconsidero que ele seja somente abjeto. Por uma epistemologia do corpo.


Escrito por Brunno Almeida. às 00h08
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As crises descortinam o que há de "melhor" e o que é de "pior" no ser humano. Os limites se confundem, escurecem, tornam-se obscuros, destruindo qualquer possibilidade de fuga. A crise sim, é a nervura do real.


Escrito por Brunno Almeida. às 21h46
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A própria ideia de uma história das coisas não cíclica, continua, linear, objetiva, progressiva e postivista é uma ideologia da moral judaico-cristã. Ora, qual a religião que no intuito de mostrar ao homem que as ideias da história são progressivas, apropriou-se de um "deus supremo", para apontar que há uma vigilância contante, punitiva e do pecado, um começo, meio e fim? A morais judaicas e cristãs são pautadas, sobretudo, pela historialização da vida: a arca de noé, a chegada do messias na terra e o derradeiro apocalipse, negam o que a religião primitiva propunha: o avesso. No homem cristão, cada ação do deus justifica a anterior, daí o castigo, a culpa e o redimir. Os gestos deste deus representam uma vontade de intervenção na história de seu povo. Para a sacralidade do homem dito "primitivo" a história é cíclica e a noção de tempo imóvel (eterno retorno). Os gestos e rituais se reatualizam no sentido de, rememorizar essa necessidade do infinito.Ao contrário das narrativas bíblicas ocidentais, em que não há ritual, apenas a lembrança, pelo gesto da estética da violência e do medo, de que um fim do mundo se anuncia. É por isso que, muitas vezes, ainda temos essa torta impressão catastrófica. Ela não estava ali, isolada, descontente, desajustada, foi apropriada também, pela Idade Clássica e pela Idade Moderna (século XIX), que ao reunir a história como uma ideia de progresso das coisas, esqueceu-se de camuflar e ideologizar o homem em sua totalidade. A diferença entre as duas, talvez seja de que, na primeira o homem ascenderá aos céus, na última este mesmo homem ascenderá ao progresso sem escapatória. Duas conjunções específicas, paradoxais, por isto próximas de linearidade.  É preciso então, salvar o planeta, como se este fosse possível de aniquilamento. Daí essa impressão viril para os pessimistas da realidade e não da aparência, de que, o que chamam de fim do mundo não passa de uma mudança estrutural na desordem das coisas.



Escrito por Brunno Almeida. às 13h09
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Em uma ordem estrutural, o tabu do incesto – que se repete em diversas épocas e culturas, de maneiras diferentes – não se trata apenas de uma interdição ou ética sexual. É antes de tudo, a primeira modalidade do ser político. As sociedades ditas primitivas nascem pelo viés e pela mercadologia. A mulher era usada como dispositivo de troca entre os diferentes clãs. Desta forma, não se podia conceber – já que isto era uma violação de uma regra econômica – que o outro deitasse com alguém do mesmo sangue. Operando pela simbologia e pelo silêncio, se quebrado, este tabu, no plano religioso, seria o contrário do Cosmos, o Caos. Isto faz pensar, na questão do que a nossa sociedade encara como homossexualidade, e nos gregos antigos, a ars erotica e a dietética. No primeiro, o início de uma pederastia, seguida por confinamento – que se mantém – na psiquiatria do século XIX. No segundo, o homem grego podia deitar-se com um rapaz, desde que o ato estivesse ligado à outra ordem de troca. Muito menos pelo cuidado em manter a relação heterossexual, o tabu do incesto é mantido em nossa cultura de diversas maneiras: negando a figura afeminada, travestida, a relação entre duas mulheres. Em poucas palavras, é o tabu do incesto que afasta qualquer ordem que se afaste da primeira proposta de troca. Estes "édipos" às avessas, não caracterizam apenas a "ameaça" reprodutiva, mas um constante embate entre a primeira força política. Se recuarmos no tempo, perceberemos que os ditos “primitivos” avançam em nossa cultura. Deixamos de lado o Ser, para investir apenas nas modalidades políticas e sistêmicas. 



Escrito por Brunno Almeida. às 10h56
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A CRISE: o capitalismo, a indústria cultural, a bestialidade do mass media, não só destruíram as relações políticas, impondo assim, um estado de diferenças gritantes, exclusões, e quando não, a miséria. Seu maior triunfo foi sobre a beleza. O capitalismo rompeu com o desejo, já que ele próprio é a máquina que alimenta e destrói esse impulso humano. Foi capaz ainda, de exterminar qualquer necessida...de de afeição, aproximação e relação. Nesta lógica, aparentemente, as pessoas se bastam. Mas não as pessoas, a cultura da satisfação imediata, basta. Para curar a falta de solidariedade (amor) que perdemos, a violência é espetacularizada, imaculando assim, a falsa impressão de que o homem ainda não rompeu com o jogo de "irmandade". O aparato tecnológico da mídia é o medo e não o espanto. Não é à toa, que durante séculos, religiões usaram (e usam) a violência estetizada como forma de redenção. Talvez Marx estivesse certo, mas acrescento às suas palavras: a estética da violência é o ópio do povo. A pena e a dó - estes sentimentos tão arcaicos e cristãos - se travestem de solidariedade. Se antes, era só o Estado que era ideológico, e permitia este sentimento de irmandade, por meio de signos como nação, hoje a mídia e a cultura da mass media cumprem este papel. A crise é sobretudo, a das relações humanas.


Escrito por Brunno Almeida. às 00h50
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quando estudantes libertários ou não, se juntarem à representação do autoritarismo, da coerção e da interdição, é chegada a hora de fechar os portões, para que o incômodo que "feitchizamos" durante tempos não nos perturbe. Este incômodo se chama: liberdade.



Escrito por Brunno Almeida. às 19h14
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