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“Londres?”.
Acho que na euforia de ontem, já confessada no post abaixo, acabei esquecendo de relatar o motivo de minha ida à Vila de Paranapiacaba.
O projeto mensal do ECAL e do Coletivo Ayahuasca, o Sarau “Açúcar”, foi convidado para realizar a 4ª edição de Agosto, em Rio Grande da Serra, região onde fica a vila.
Para quem não sabe, o local possui apenas mil habitantes, e fica no Km 42 da Anchieta, ou seja, entre SP e o litoral paulista.
Paranapiacaba significa “de onde se avista, ou se vê, o mar”, em tupi-guarani. Louco e mágico pensar, que a palavra “teatro” em grego, tem um significado semelhante.
Única vila ferroviária no Brasil foi construída em 1867 pelos ingleses. Pelo décor, clima e arquitetura do local, parece que estamos na Londres do século XIX. A grande diferença, é que ao nosso redor temos a natureza, do outro lado, o mar, em um cenário bucólico, e a duas horas de viagem, essa grande megalópole de pedra e poluição.
O nosso Sarau será dia 30 de agosto, Sábado. O elenco, a equipe do Coletivo e eu viajaremos pela manhã. Só retornaremos no Domingo à tarde.
Estamos correndo com esse projeto, pois a Vila além de ser um patrimônio cultural e histórico, casa perfeitamente com os nossos anseios estéticos e artísticos.
Aguardem! Vem mais coisa boa, por aí...
P.S: Até Domingo, dia 28/07, rola na Vila, o Festival de Inverno. Confira a programação no www.guiaparanapiacaba.com.br. Vale a pena!

Escrito por Brunno Almeida. às 01h18
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Discípulos
Quando convidei os atores para o processo de “The Dark Room”, tinha em mente um só ponto: remontar o espetáculo em dois meses (curto), registrá-lo e apresentá-lo em duas sessões. É o que eu chamo de “fast-art”, no melhor estilo Andy Wharol. Não concordo muito com isso, mas em certos projetos, o tempo deve contar e prevalecer.
A idéia era repetir o formato de concepção anterior. Como sou cruel e exigente, enquanto artista e convicto esteticamente, não deixei esse gravíssimo erro acontecer em meu teatro. Que graça teria, se repetisse exatamente o que fiz no passado? Uma posição ortodoxa, mas para mim, verdadeira.
E daí, que no meio do caminho, descubro outras possibilidades de investigação com a figura do ator. Creio ser influência do Eugênio Kusnet, livro “Ator e Método”, que estou estudando novamente. Tais possibilidades, assim espero, serão notadas nos trabalhos posteriores.
Hoje a caminho de uma reunião em Paranapiacaba (nome difícil, né?) releio e marco alguns trechos do livro. Penso, reflito, penso, releio, remarco. Em um determinado momento, sinto a paixão que o Kusnet tinha por seus alunos e discípulos. Paixão essa, fruto de uma extensão entre a vida e a arte. Como assim? Em um ato súbito, profano a mim mesmo, chego a indagar que não possuo tal vitória, não na arte, mas no ensinar aos atores/alunos. Fiquei com essa impressão o dia todo.
Chego em casa, abro o MSN, e o Leo El Hireche, que interpretará uma travesti, a Nicolly, me confidencia em letrinhas vermelhas e abreviações, a sua grande descoberta de hoje, como ator.
Ele havia se permitido a compor a personagem através de um laboratório riquíssimo, efetivado na vida real. Não vou contar aqui, pois isso interessa só a figura do artista. O resultado será notado na cena. Isso é o que importa!
O mais bonito e gratificante dessa historia toda, nem foi o laboratório, mas a magnitude e a forma que o Leo contou o caso. Estava excitadíssimo, contente e consciente de alguns pontos externos e internos da personagem. Disse que colocou em prática, métodos do Stanislavsky, e sentiu magicamente o efeito da mudança.
Lembro-me novamente do Kusnet. Há um trecho em que ele cita, poeticamente e em tom de idealismo, que a maior qualidade de um artista é a iniciativa. Pode parecer “bobo isso que eu digo, mas na real funciona quase sempre assim: poucos “artistas” possuem iniciativa própria. Imaginem quanto a arte ganharia, e a vida também, com essas manifestações do impulso do ser humano?
E descordo de mim mesmo, me refaço em segundos. Não sou infeliz, pelo contrário, possuo sim, artistas que acreditam em minha metodologia. Tais criadores e interpretes, que em um futuro próximo, ou quem sabe agora, serão nomeados de novos discípulos.
"O BOM ARTISTA PRECISA DESCER AO INFERNO DE DANTE,
ANTES DE PROPOR A SUA VISÃO ESTÉTICA" - Brunno Almeida
Escrito por Brunno Almeida. às 01h29
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24/7/2008 10:29:15 Espaço Cultural em São Paulo recebe projetos para o 2º semestre de 2008 |
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O ECAL (Espaço Cultural Alberto Levy) abre inscrições de projetos para a TEMPORADA 2º SEMESTRE - 2008, nos editais de teatro e dança; exposições e instalações; cursos, workshops e oficinas.
A programação do espaço é composta por manifestações de natureza artística e cultural, tais como: apresentações de espetáculos teatrais, de dança, artes plásticas (exposições e instalações físicas no espaço), apresentações musicais de todos os tipos, ensaios abertos, saraus, leituras dramatizadas de textos literários e teatrais, palestras com diversas abordagens, cursos, oficinas, workshops, eventos sociais (festas, comemorações e lançamentos oficiais), cinema (exibição de filmes), house do Coletivo AYAHUASCA, e canal de preservação da memória de projetos realizados pelo Grupo Teatral I Ato.
Grupos, Companhias, Artistas e Produtores em geral, inscrevam seus projetos e idéias para a TEMPORADA 2008.
Abaixo os links de downloads dos editais disponíveis.
EDITAL TEATRO E DANÇA
Edital Teatro e Dança 2008.doc Ficha de Inscrição Teatro e Dança.doc Ficha Técnica Modelo Padrão.doc
EDITAL EXPOSIÇÕES E INSTALAÇÕES
Edital Exposições e Instalações 2008.doc Ficha de Inscrição Exposições e Instalações.doc
EDITAL CURSOS, WORKSHOPS, OFICINAS E PALESTRAS
Edital Cursos, Oficinas, Workshops e Palestras 2008.doc Ficha de Inscrição Cursos, Workshops, Palestras e Oficinas.doc
Os arquivos devem ser enviados para: edital@ecal.art.br
Mais Informações:
ECAL (Espaço Cultural Alberto Levy)
Endereço: Avenida Indianópolis, 1.570, Planalto Paulista (Próximo ao Metrô São Judas) Telefones: (11) 9197-6235/ 9216-1938/ 2275-4118
O QUE É O ECAL
Criado em 2005, pelo diretor e dramaturgo Brunno Almeida, e o seu antigo Grupo Teatral 1º Ato, o ECAL é um Espaço Cultural, localizado no bairro do Planalto Paulista (Moema), em São Paulo.
Na época de sua fundação, a proposta inicial era que o espaço servisse como house e plataforma para as pesquisas, investigações e experimentações do 1º Ato.
Funcionando dentro do espaço físico de uma instituição de ensino governamental, o Alberto Levy, o ECAL possui vida independente e programação específica, voltada aos interesses da classe artística e freqüentadores do local.
Com o término do grupo no ano de 2006, inaugura-se no ECAL, o Núcleo Experimental de Teatro Alberto Levy, voltado para diversas linguagens e manifestações das artes contemporâneas, como teatro, dança, música, artes plásticas, fotografia, cinema, circo, novas mídias, cursos, oficinas, palestras, workshops, estudos e eventos sociais e artísticos.
Durante esses 02 anos de existência, o espaço serviu de palco para a realização de Oficinas Teatrais, Ensaios, Laboratórios, Palestras, Workshops, Shows, Apresentações Teatrais e Festas.
Afastado do conceito "teatro coletivo ou de grupo", desde a extinção do 1º Ato, o coordenador geral Brunno Almeida, decide em 2008, ampliar as propostas de caráter experimental do local.
Acompanhando as tendências mundiais nas artes, o ECAL transforma-se em house, do COLETIVO AYAHUASCA. A idéia é agregar as diferentes vertentes das artes contemporâneas, em um único local.
O décor projetado pelo próprio Brunno Almeida e pelo arquiteto Daniel Mammana, na ocasião da reforma, traz como sutil inspiração, os cafés e cabarets da Belle Époque parisiense.
Em termos estruturais, o local está apto a receber quaisquer tipos de manifestações artísticas.
Aconchegante e acolhedor, possui 92 poltronas removíveis, palco italiano (6X3m), coxias, camarim anexo, equipamento de som, iluminação e uma excelente acústica.
O diretor e dramaturgo Brunno Almeida respondeu algumas perguntas da CCB sobre o ECAL.
CCB: Quais são os critérios para a seleção dos projetos a serem contemplados com o espaço? O conceito do espaço?
Brunno Almeida: O ECAL possui como conceito primordial, o de ser um espaço alternativo, voltado para artistas que pesquisem as diversas linguagens das artes, mas que não possuem espaço físico e uma estrutura para o desenvolvimento de seus projetos. Isso não significa, só a parceria com o underground! Como funcionamos dentro de um colégio, há uma preocupação com a questão social e educacional, mas de forma sutil, sem ser didático.
CCB: Qual o perfil do público freqüentador do espaço?
Brunno Almeida: Os alunos de ensino médio do colégio, pessoas de 14 a 40 anos, moradores das regiões de Moema, Planalto Paulista, Saúde, São Judas, Campo Belo, Brooklin e Aeroporto, e artistas em geral.
CCB: Qual o tamanho do espaço - o que tem de estrutura física - quantas pessoas cabem?
Brunno Almeida: 92 Lugares, as cadeiras são removíveis, ou seja, há uma flexibilidade de mudança. Palco Italiano, com 6 metros de largura por 6 metros de profundidade. É um espaço intimista, porém aconchegante, que possui um camarim anexo. Temos equipamentos como uma mesa de luz com 10 refletores 01 PC, e mesa de som com Dimmers, canais e entrada de CD-R e CD RW.
CCB: Como seria o acordo do espaço com os projetos selecionados? Contratos de parceria?
Brunno Almeida: Não há acordo de contratação. É parceria, no sentido de divisão de bilheteria 50% para cada (ECAL e PARCEIRO). O Parceiro não paga o aluguel do espaço.
CCB: Serão aceitos projetos aprovados em leis de incentivo, editais públicos ou privados?
Brunno Almeida: Sim. Eles serão aceitos.
CCB: Até quando pode encaminhar os projetos?
Brunno Almeida: Para a grade de 2008, até o início de Dezembro (1ª Semana). |
Escrito por Brunno Almeida. às 23h25
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O PROCESSO.
Não, não é o do Kafka. Apesar da grande admiração pela obra desse autor, o título desse post refere-se ao processo de criação do espetáculo “The Dark Room”. Meu primeiro texto para o teatro, encenado quando esse jovem artista tinha apenas 15 anos de idade.
Um acidente de percurso saudável em minha vida, que marcou o meu retorno ao teatro, depois de 03 anos de afastamento. Acho que já contei essa história, por aqui...
Livremente inspirado na obra “Huis-Clos”, de Jean-Paul Sartre. No Brasil, o título foi traduzido para “Entre Quatro Paredes”, mas prefiro o original, que soa sofisticado.
São personagens que estão à procura de um possível Godot beckettiano. Estão à margem da vida, em um quarto escuro, conduzidos por dois poetas misteriosos. Cada personagem narra sua história de vida, sua integridade e expõe a riqueza interna da alma humana. Ao final, todos perguntam para o Poeta: “Cadê ela, já chegou?”. Há uma “pista falsa”, uma indicação de quem seja “ela”: uma personagem chamada Nycolli, travesti e figura da noite, interpretada por Leo El Hireche (Ledah Briacho). Mas Nycolli, também, com suas aflições e angústias, indaga sobre a presença “dela”. Uma figura ubíqua, mas que nunca chega.
Quando me propus a remontar o texto, com o intuito de digitalização em DVD e Fotos, acrescentei uma condição: a de não modificar uma linha, idéia e marcação do original.
Fiz isso, para que haja um material inicial de meu trabalho e do grupo, e para que possamos sentir a evolução de um processo, de um pensamento e de uma proposta estética.
E como é engraçado, observar, ler e sentir a minha visão de mundo nas entrelinhas e linhas objetivas desse texto, ainda adolescente. Hoje, com 21 anos, talvez não acredito que “o inferno são os outros”, e no meu olhar como criador a 06 anos atrás.
Confesso que esse fato preocupou-me, já que gosto encenar, trabalhos e propostas, que sejam importantes para o público, que comuniquem e exponham as feridas e as mazelas do nosso século.
Na madrugada de ontem, conversando com o Leo, aliviei um pouco esse pensamento.
O texto pode soar “romântico”, “idealista”, e às vezes até, “melodramático”, para os visionários moderninhos do teatro, mas de uma coisa tenho absoluta certeza! Guardo até hoje comigo, o possível espírito e sensibilidade de um Anjo do Apocalipse, sempre na iminência de anunciar, que “o modelo homem, séc. XXI”, a qualquer momento chegará ao fim...
Escrito por Brunno Almeida. às 01h46
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VIVA A PALHOÇA! VIVA DANIEL DANTAS! VIVA O BRASIL!
Escrito por Brunno Almeida. às 14h24
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