Estranha Humana Obsessão.
Pela metade vivemos.
Cada passo singular de nossa vã existência desvela a dor de nossa própria essência.
A certeza da incerteza de Sartre é o início de um precipício que nos afugenta.
O ponteiro do relógio gira ao contrário.
As semanas, os dias e as horas são reis nessa terra, onde a mentira e a maldade são novas diretrizes e crenças.
Anunciam um novo tempo? Anunciam um novo homem? Nietzsche estava errado! Super-homem não existe. Só existe essa grande lenda.
Lenda do poder de ter; lenda do poder de Deus; lenda de que a felicidade é a cura da alma.
No ar há um grito solto e um vazio torto. Grito enunciado pela boca voluptuosa de um Santo Pecador.
Esse santo não morreu, não foi ao inferno. Seus pecados não são teus.
Certa vez, esse Santo Pecador perguntou para um marginal, que motivo banal era esse!
Por que essa estranha obsessão humana de amar? Por que essa estranha obsessão humana de perdoar? Por que essa estranha humana obsessão de querer bem, os que não anseiam pelo bem?
Ele nada respondeu.
Não há um fim; não há uma luz; não há de novo um lugar para esse Santo na cruz.
O ponteiro do relógio gira ao contrário. Pouco importa. O relógio sem ponteiro, também gira.
Por que essa estranha humana obsessão de amar?
Prefiro a dor que é início, gênese pronta e o começo do que poderia ser o amor.
Brunno Almeida
Ventania
Se a esperança um dia morrer, os anjos morrerão também.
Anjos nascem e morrem todos os dias.
Mas há a esperança, que finge se esconder onde há a ventania.
Se aquele botão de rosa amarela contasse todos os segredos anjos, não desabrocharia.
Esperaria impaciente a impiedosa primavera, que revela a poesia oculta no milagre do nascimento.
A natureza, meu caro, não é grata, é fruto de certas mentiras.
A natureza é o reflexo apenas, das dores de uma ventania.
Pudesse escolher entre o sexo e a vida, escolheria a morte, que é a gêmea da superfície.
A esperança se um dia ela morrer, não haverá caixa sagrada dourada, para o seu repouso.
Desfalecerá ao lado da natureza, ao lado do botão de flor da rosa, que insiste em nascer todos os dias.
Brunno Almeida
Escrito por Brunno Almeida. às 13h01
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