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Texto solicitado pela profª Adriana Martinez de Filosofia, do curso de Comunicação Social - Jornalismo, sobre a idealização platônica.
Algo me pareceu familiar... Centro das grandes convulsões sociais, a instituição familiar passou por intenso processo de transformação nos últimos séculos. Ocidentalmente, sua gênese enraizada encontra reflexos nítidos na mitologia judaico-cristã, onde valores morais e éticos são perpetuados de geração para geração. Moisés desce do monte com uma tábua de Dez Mandamentos e reúne a tribo, criando a primeira relação instituída de família sob o olhar de um patriarca. A figura da mulher como perpetuadora de uma prole, a do homem como representante do poder estabelecido e a dos filhos como “aprendizes” dos valores e representantes do porvir. Papéis nitidamente desempenhados no teatro anêmico do poder, onde muitas vezes, seus atores (agentes da ação) não desobrigam as regras da cena, em nome da harmonia, da felicidade e do bem-estar geral do espetáculo. Esses conceitos abstratos podem ser determinados por apenas um modelo de família? Como instituição, ela deve obedecer ao jogo de poder? Do lado de cá, em terras tupiniquins, Nelson Rodrigues já anunciava que se fugíssemos às regras de idealizações de status da família, seriamos castigados. Nus ou não! Nas últimas décadas, movimentos como o feminismo, a contracultura e de libertação sexual colocaram esses preceitos para uma conversa com o demônio da civilização: a anti moral. Novos atores juntaram-se ao mise-en-scéne da instituição mais antiga do mundo, dando-lhe uma nova roupagem. Como em uma peça de teatro coletivo, a família não é composta por personas determinadas: pai assume o lugar da mãe, os filhos dão espaço para a conquista da vida material, parcerias homossexuais são bem vindas, a adoção torna-se lugar-comum e a dança da hierarquia sente vertigem ao presenciar a queda dos arquétipos. Fingindo desobedecer as leis da tábua, nós ocidentais, criamos (ou instituímos novamente) um novo modelo de família. Os papéis já não são os mesmos, mas as intenções, os gestos, as falas e as máscaras dessas personagens continuam fortemente enraizadas no moralismo, desta vez camuflado em um discurso de textura liberal, que se pretende novamente, servir ao tragicômico jogo da “normatividade”.
Escrito por Brunno Almeida. às 18h02
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