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Dialética Sentado em um ônibus, leio jornal. No cruzamento da Avenida dos Bandeirantes, com a Alameda dos Nhambiquaras, o farol fica no vermelho. Um grupo de artistas circenses, na verdade três rapazes, exibem suas performances. Um negro faz malabares, o mais velho perna de pau e o mais bonito da trupe bicicleta. Dominam a técnica, para faturar alguns trocados. E daí que uma moça, ou melhor, uma jovem senhora morena, de aparência simples, humilde, mas com uma pele viçosa e uma energia típica das muitas “marias” que vemos por aí, comenta com a filha, que está com a cabeça apoiada em seu ombro. - É muito bonita a profissão desses garotos! E eles conseguem algum “dinheirinho”. Tem que ser corajoso e talentoso, para enfrentar gente mal humorada todos os dias. A filha despreocupada, só afirma positivamente com a cabeça. Eu observo. Um homem, por volta de seus 45 anos, moreno, pele queimada de índio, entra no debate. A dialética se instala. - Eles ganham pouco! Nem vale a pena! - Mas o que eles fazem, não é que nem a gente, para ganhar dinheiro. Eles fazem por amor. Só isso! – disse a mulher, simples assim, em um tom quase poético, se não fosse a sinceridade de suas palavras. E eu novamente, sinto saudades do palco, do teatro. Volto a olhar o jornal, que continua insistindo em discussões de pobres poderes.
Escrito por Brunno Almeida. às 14h33
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E ela nunca sai do meu pensamento... 
Escrito por Brunno Almeida. às 17h08
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